sexta-feira, 14 de junho de 2013

Versos que fazem bem
Pesquisadores da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, afirmam que ler poesia ajuda no desenvolvimento cognitivo.
Por Edgard Murano
Em outras épocas, já coube à poesia um papel fundamental na formação das pessoas. Num passado escolar que hoje nos parece tão distante quanto a palmatória, exigiam-se dos estudantes noções de versificação e o conhecimento de alguns poemas de cor. Hoje, porém, ler poetas como Camões, Drummond, Shakespeare, João Cabral de Melo Neto e outros clássicos já não é exigência, infelizmente, mas pode ser que argumentos da neurociência ajudem os leitores a enxergar o que os poetas sempre souberam: ler poesia faz bem.

Cientistas da Universidade de Liverpool divulgaram um estudo que consistiu no monitoramento da atividade cerebral de 30 voluntários, que se dispuseram a ler o começo de determinados poemas para, em seguida, ler novamente os mesmos trechos, porém adaptados a uma linguagem mais coloquial. Ao se deparar com termos menos frequentes, estruturas sintáticas atípicas e semântica complexa, a atividade cerebral disparou, o que não ocorreu durante a leitura dos trechos simplificados.

De acordo com o professor Phillip Davis, que participou do estudo, a leitura desses versos estimulou a parte do cérebro associada à memória e à emoção, permitindo que os voluntários refletissem sobre suas vidas. A pesquisa, contudo, mais do que incentivar a leitura de poesia, chama a atenção para a importância de se ler "livros difíceis", sobretudo numa época em que educadores parecem estar mais preocupados em oferecer aos estudantes textos acessíveis.


A Poesia


Queridos leitores

Que tal um pouco de poesia?
Sempre que trabalho com poemas percebo a dificuldade que meus alunos apresentam quando precisam interpretar poemas. Seja pela falta de experiência, pela falta de conhecimento de mundo, ou ainda pela falta de vocabulário, é impossível saber, mas o fato é que quando estão diante de um poema, os alunos ficam inseguros e repletos de dúvidas.
Para a maioria dos jovens, o poema intimida, assusta, talvez porque o poema possui uma linguagem mais densa, carrega as figuras de linguagem que, na maioria das vezes não são decifradas pelos jovens.
É importante que os jovens saibam que um poema, assim como um texto narrativo possui intenção comunicativa, portanto deve ser lido, interpretado, sentido por seu leitor.
Por não ser tão direto, o poema pode causar insegurança em quem o lê, por isso é importante ter em mente que o poema também pode transmitir uma ideia, um acontecimento ou sentimento ao seu leitor.
É necessário saber que o poema deve ser lido e sentido, como se as palavras penetrassem no leitor, como se o texto ser sentido, “degustado”, assim será possível entendê-lo.
Para interpretar o poema, devemos prestar atenção às rimas (quando houver), às metáforas, ás imagens criadas pelas palavras. Por ter se originado da fala humana, pelo ritmo, pela sonoridade do poema, é necessário estar atento às palavras, ao ritmo da leitura.
Torna-se mais fácil entender o poema quando sabemos em qual estilo literário ele está inserido, pois eles mudam muito dependendo da Escola Literária a que pertencem, conhecer um  pouco  sobre seu autor.
Agora, um pouco de poesia...

Mãos Dadas

 Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco. 
Também não cantarei o mundo futuro. 
Estou preso à vida e olho meus companheiros 
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. 
Entre eles, considere a enorme realidade. 
O presente é tão grande, não nos afastemos. 
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. 
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história. 
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela. 
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida. 
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins. 
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, 
a vida presente.

Os Ombros Suportam o Mundo
Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.














terça-feira, 11 de junho de 2013

Livro: a troca

Lygia Bojunga Nunes

Pra mim, livro é vida; desde que eu era muito pequena os livros me deram casa e comida.
Foi assim: eu brincava de construtora, livro era tijolo; em pé, fazia parede; deitado, fazia degrau de escada;
inclinado, encostava num outro e fazia telhado. E quando a casinha ficava pronta eu me espremia lá dentro pra brincar de morar em livro.
De casa em casa eu fui descobrindo o mundo (de tanto olhar pras paredes). Primeiro, olhando desenhos; depois, decifrando palavras.
Fui crescendo; derrubei telhados com a cabeça. Mas fui pegando intimidade com as palavras. E quanto mais íntimas a gente ficava, menos eu ia me lembrando de consertar o telhado ou de construir novas casas. Só por causa de uma razão: o livro agora alimentava a minha imaginação.
Todo dia a minha imaginação comia, comia, comia; e de barriga assim toda cheia, me levando pra morar no mundo inteiro: iglu, cabana, palácio, arranha-céu, era só escolher e pronto, o livro me dava.
Foi assim que, devagarinho, me habituei com essa troca tão gostosa que - no meu jeito de ver as coisas - é a troca da própria vida; quanto mais eu buscava no livro, mais ele me dava.
Mas como a gente tem mania de sempre querer mais, eu cismei um dia de alargar a troca: comecei a fabricar tijolo pra - em algum lugar - uma criança juntar com outros, e levantar a casa onde ela vai morar.

Lygia Bojunga Nunes. Livro - um encontro com Lygia Bojunga Nunes. Rio de Janeiro: Agir, 1990.
http://pescandoletras.blogspot.com.br/search/label/Conto%20Infanto-juvenil

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Quando a escola é de vidro 

Ruth Rocha

Naquele tempo eu até que achava natural que as coisas fossem daquele jeito.
Eu nem desconfiava que existissem lugares muito diferentes...
Eu ia pra escola todos os dias de manhã e quando chagava, logo, logo, eu tinha que me meter no vidro.
É, no vidro!
Cada menino ou menina tinha um vidro e o vidro não dependia do tamanho de cada um, não!
O vidro dependia da classe em que a gente estudava.
Se você estava no primeiro ano ganhava um vidro de um tamanho.
Se você fosse do segundo ano seu vidro era um pouquinho maior.
E assim, os vidros iam crescendo á medida em que você ia passando de ano.
Se não passasse de ano era um horror.
Você tinha que usar o mesmo vidro do ano passado.
Coubesse ou não coubesse.
Aliás nunca ninguém se preocupou em saber se a gente cabia nos vidros.
E pra falar a verdade, ninguém cabia direito.
Uns eram muito gordos, outros eram muito grandes, uns eram pequenos e ficavam afundados no vidro, nem assim era confortável.
Os muitos altos de repente se esticavam e as tampas dos vidros saltavam longe, ás vezes até batiam no professor.
Ele ficava louco da vida e atarraxava a tampa com força, que era pra não sair mais.
A gente não escutava direito o que os professores diziam, os professores não entendiam o que a gente falava...
As meninas ganhavam uns vidros menores que os meninos.
Ninguém queria saber se elas estavam crescendo depressa, se não cabia nos vidros, se respiravam direito...
A gente só podia respirar direito na hora do recreio ou na aula de educação física.
Mas aí a gente já estava desesperado, de tanto fica r preso e começava a correr, a gritar, a bater uns nos outros.
As meninas, coitadas, nem tiravam os vidros no recreio. e na aula de educação física elas ficavam atrapalhadas, não estavam acostumadas a ficarem livres, não tinha jeito nenhum para Educação Física.
Dizem, nem sei se é verdade, que muitas meninas usavam vidros até em casa.
E alguns meninos também.
Estes eram os mais tristes de todos.
Nunca sabiam inventar brincadeiras, não davam risada á toa, uma tristeza!
Se agente reclamava?
Alguns reclamavam.
E então os grandes diziam que sempre tinha sido assim; ia ser assim o resto da vida.
Uma professora, que eu tinha, dizia que ela sempre  tinha usado vidro, até pra dormir, por isso que ela tinha boa postura.
Uma vez um colega meu disse pra professora que existem lugares onde as escolas não usam vidro nenhum, e as crianças podem crescer a vontade.
Então a professora respondeu que era mentira, que isso era conversa de comunistas. Ou até coisa pior...
Tinha menino que tinha até de sair da escola porque não havia jeito de se acomodar nos vidros. E tinha uns que mesmo quando saíam dos vidros ficavam do mesmo jeitinho, meio encolhidos, como se estivessem tão acostumados que até estranhavam sair dos vidros.
Mas uma vez, veio para minha escola um menino, que parece que era favelado, carente, essas coisas que as pessoas dizem pra não dizer que é pobre.
Aí não tinha vidro pra botar esse menino.
Então os professores acharam que não fazia mal não,já que ele não pagava a escola mesmo...
Então o Firuli, ele se chamava Firuli, começou a assistir as aulas sem estar dentro do vidro.
O engraçado é que o Firuli desenhava melhor que qualquer um, o Firuli respondia perguntas mais depressa que os outros, o Firuli era muito mais engraçado...
E os professores não gostavam nada disso...
Afinal, o Firuli podia ser um mal exemplo pra nós...
E nós morríamos de inveja dele, que ficava no bem-bom, de perna esticada, quando queria ele espreguiçava, e até mesmo que gozava a cara da gente que vivia preso.
Então um dia um menino da minha classe falou que também não ia entrar no vidro.
Dona Demência ficou furiosa, deu um coque nele e ele acabou tendo que se meter no vidro, como qualquer um.
Mas no dia seguinte duas meninas resolveram que não iam entrar no vidro também:
- Se o Firuli pode por que é que nós não podemos?
Mas Dona Demência não era sopa.
Deu um coque em cada uma, e lá se foram elas, cada uma pro seu vidro...
Já no outro dia a coisa tinha engrossado.
Já tinha oito meninos que não queriam saber de entrar nos vidros.
Dona Demência perdeu a paciência e mandou chamar seu Hermenegildo que era o diretor lá da escola.
Seu Hermenegildo chegou muito desconfiado:
- Aposto que essa rebelião foi fomentada pelo Firuli. É um perigo esse tipo de gente aqui na escola. Um perigo!
A gente não sabia o que é que queria dizer fomentada, mas entendeu muito bem que ele estava falando mal do Firuli.
E seu Hermenegildo não conversou mais. Começou a pegar as meninos um por um e enfiar à força dentro dos vidros.
Mas nós estávamos loucos para sair também, e pra cada um que ele conseguia enfiar dentro do vidro - já tinha dois fora.
E todo mundo começou a correr do seu Hermenegildo, que era pra ele não pegar a gente, e na correria começamos a derrubar os vidros.
E quebramos um vidro, depois quebramos outro e outro mais dona Demência já estava na janela gritando - SOCORRO! VÂNDALOS! BÁRBAROS!
(pra ela bárbaro era xingação).
Chamem o Bombeiro, o exército da Salvação, a Polícia Feminina...
Os professores das outras classes mandaram cada um,um aluno para ver o que estava acontecendo.
E quando os alunos voltaram e contaram a farra que estava na 6° série todo mundo ficou
assanhado e começou a sair dos vidros.
Na pressa de sair começaram a esbarrar uns nos outros e os vidros começaram a cair e a quebrar.
Foi um custo botar ordem na escola e o diretor achou melhor mandar todo mundo pra casa, que era pra pensar num castigo bem grande, pro dia seguinte.
Então eles descobriram que a maior parte dos vidros estava quebrada e que ia ficar muito caro comprar aquela vidraria tudo de novo.
Então diante disso seu Hermenegildo pensou um pocadinho, e começou a contar pra todo mundo que em outros lugares tinha umas escolas que não usavam vidro nem nada, e que dava bem certo, as crianças gostavam muito mais.
E que de agora em diante ia ser assim: nada de vidro, cada um podia se esticar um bocadinho, não precisava ficar duro nem nada, e que a escola agora ia se chamar Escola Experimental.
Dona Demência, que apesar do nome não era louca nem nada, ainda disse timidamente:
- Mas seu Hermenegildo, Escola Experimental não é bem isso...
Seu Hermenegildo não se perturbou:
- Não tem importância. Agente começa experimentando isso. Depois a gente experimenta outras coisas...
E foi assim que na minha terra começaram a apareceras Escolas Experimentais.
Depois aconteceram muitas coisas, que um dia eu ainda vou contar...

Reflexões sobre leitura e escrita

Caros leitores
Continuando nossas reflexões acerca da leitura e escrita, pensemos sobre a nossa responsabilidade de ensinar nossos alunos a ler, interpretar e escrever. A professora Adalgiza aborda com muita propriedade que a leitura, interpretação e escrita deve ser ensinada por professores de todas as disciplinas, e não apenas pelos professores de Língua Portuguesa. 
Boa leitura!

  Adalgiza Olveira da Silva Figueiredo


        Ler e escrever são tarefas da escola, questões para todas as áreas, uma vez que são habilidades indispensáveis para a formação de um estudante, que é responsabilidade da escola. (Paulo Coimbra Guedes)

A leitura e a escrita, ainda hoje, são um dos pontos frágeis na educação, deparamos com inúmeros equívocos no que se refere a quem cabe o ofício de se ensinar a ler e escrever.
A prática constante de leitura e escrita devem ser incorporadas pela escola como meta primordial envolvendo todas as áreas do conhecimento, “uma vez que são habilidades indispensáveis, para a formação do educando”. (p.15-Paulo C Guedes, Jane M de Souza-2006) É dever de a escola oportunizar ao aluno condições de se apropriarem de conhecimentos historicamente constituídos, de se sentirem construtores e produtores desses conhecimentos e de bons textos.
Acredito e defendo a tese de que é tarefa de todas as áreas, mediarem o trabalho de leitura e escrita, cada qual em suas especificidades. Cabe a cada disciplina atuar nesse trabalho de forma criativa, argumentativa, reflexiva e, acima de tudo, crítica porque a reflexão de tudo que vemos, ouvimos e lemos deverá ser expressa por escrito.
A leitura e a escrita devem ser incentivadas dentro da sala de aula, independente, da área a ser trabalhada, orientada pelo professor. É tarefa árdua pelo fato de que nossos alunos não possuem o hábito da leitura, pois na maioria das vezes o único contato com a leitura é na escola, a família pouco contribui ou, em muitas vezes, nada contribuem em favor do despertar dos seus filhos ao mundo da leitura e da escrita. Dessa forma, a escola tenta realizar um trabalho focado na leitura e escrita, o que não é nada fácil.
Percebemos em nossa prática pedagógica que vivemos rodeados de variações linguísticas e que na oralidade as crianças se entendem se comunicam sem nenhum pudor, porém, ao escrever deverá se portar na escrita em uma linguagem formal muito diferente da oralidade. As pesquisas nos mostram que falamos uma língua e temos de aprender a ler e escrever em outra língua.
Os estudos de nossa língua falada levada a efeito por vários pesquisadores, entre eles um grande grupo de linguistas de todo Brasil reunidos no Projeto de Gramática de Português falado, estão mostrando não só que há uma grande variação linguística (geográfica e social) interna no País—Ao contrário do que sempre disse o mito da unidade linguística brasileira—mas também que a língua que falamos difere muito da língua falada em Portugal, a qual deu origem ao português escrito. Na verdade, hoje podemos dizer que falamos uma língua e temos de aprender a ler e escrever em outra língua. (Guedes & Souza, 2006: p.16)
         A prática pedagógica me conduziu a uma reflexão sobre o ato de ler e escrever cabe a quem essa função? Lembro–me de muitas passagens onde sempre ouvia do professor de matemática, história e outras disciplinas, que não lhes cabia a função de corrigir e ou solicitar produções de textos e leituras dos seus alunos. Limitavam-se, apenas, a solicitar respostas copiadas dos livros didáticos. O que percebemos, hoje, é que esse paradoxo está sendo revisto e repensado por parte de muitos educadores e estudiosos do assunto que focam essas questões como tarefa e obrigação de todas as áreas, que leitura e escrita é “dever da escola”. E, de vagarinho todas as áreas estão começando a desempenhar esse papel de formador de bons leitores e bons escritores.
A escola é o único veículo mediador do processo ensino aprendizagem dessas variações linguísticas tão complicadas na visão dos educandos. Tornam-se uma constante as indagações sobre o ler e escrever corretamente o nosso português, só vamos ser escritores competentes se praticarmos a leitura de diferentes textos e interagindo com eles de forma crítico- reflexiva e argumentativa. A escola é o único local onde efetivamente se aprende a ler e escrever.
Cabe então o ofício a todos os professores de todas as áreas, a responsabilidade de mediar o trabalho de leitura e escrita cada qual nas suas especificidades, incentivando nossos educandos a produzirem textos com coerência e coesão, opinando, argumentando, criticando e /ou analisando cada assunto de forma prazerosa e eficiente. “Ler tudo, desde as banalidades até as coisas que o professor julgar que devem ser lidas para o desenvolvimento pessoal do aluno como pessoa sensível, civilizada, culta, como cidadão para o estabelecimento de seu senso estético, de sua solidariedade humana, do seu conhecimento”. (p17-Paulo C Guedes, Jane M. de Souza-2006) É tarefa e responsabilidade de todas as áreas.

A leitura e a escrita devem ser incentivadas dentro da sala de aula, orientada pelo professor. Este deve oportunizar a vivência e o encantamento da descoberta dos muitos sentidos de um texto. Na escrita o incentivo deve ser o mesmo, proporcionando aos alunos oportunidades para que escrevam de forma significativa aos leitores a quem querem informar, convencer, persuadir ou comover. Acabarão por descobrir que produzir texto não é uma tarefa tão penosa quanto parece.
Não basta ensinar os conteúdos de língua portuguesa desvinculados das demais disciplinas, é necessário fazê-lo de forma interdisciplinar associando-os às demais áreas do conhecimento. É necessário promover o diálogo interdisciplinar, se quisermos que o aluno adquira a visão do todo. É necessário transformar a sala de aula em um espaço no qual se discutam as problemáticas sociais, atuais e urgentes, as relações interpessoais e os valores que as norteiam.
É imprescindível que façamos de nossas salas de aula a primeira ponte para as atividades de leitura e escrita independente da área a ser trabalhada.
O despertar do prazer de atribuir sentido a um texto, cada qual em sua área num trabalho multidisciplinar e transdisciplinar é tarefa e responsabilidade de todas as disciplinas. Aprender a ler analisar, construir sentidos e significados dentro do conjunto de possibilidades apresentadas pelos textos são habilidades indispensáveis no planejamento de todas as áreas.
Nossos alunos acabarão descobrindo que escrever não é tarefa tão difícil e nem impossível de se realizar, descobrirão que são capazes de escrever  e que essa tarefa é tão prazerosa quanto o ato de ler e descobrir o que está nas entrelinhas do texto,a intencionalidade de quem o escreve  e que ele próprio pode ser o escritor de sua própria história.
É a ponte que cada professor vai utilizar em sala de aula para realizar árdua tarefa de despertar em cada educando o gosto e o prazer pelo ato de ler e escrever sem a preocupação de apenas corrigir os erros de ortografia ou de concordância, mas orientando-os a reescrita desses textos de forma mais clara e concisa, fazendo-o perceber que o texto escrito por ele é propriedade de todos e todos devem lê-lo.
Encerro minhas reflexões com as palavras de *Paul Klee “que dizia que artista não explica, simplesmente faz ver. O artista mostra as coisas, aponta, indica. Fazer ver. Nitzsche dizia que esta é a primeira função da educação. O professor tem a missão de abrir os olhos dos alunos porque, vendo ele não precisa de argumento”.
Todo educador tem o dever e a responsabilidade de mediar o seu trabalho conduzindo seu educando ao hábito da leitura, não pela imposição, e sim pelo prazer da descoberta.


  Professora  da “E. E. Desembargador Gabriel Pinto de Arruda”